quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Licitação de postes inteligentes em São Paulo deve sair em outubro, diz secretário

A licitação para a substituição dos atuais postes de luz na cidade de São Paulo deve sair no mês de outubro, afirmou o secretário de municipal de serviços, Simão Pedro Chiovetti. Atualmente sob a avaliação do Tribunal de Contas do Munícipio (TCM), a licitação está no formato de parceria público-privada (PPP) e segundo o secretário deve contar com a participação de empresas nacionais e internacionais.
De acordo com Chiovetti, os investimentos devem chegar a R$ 2 bilhões e os postes devem usar lâmpadas LED e contarão com telegestão, ao longo de 17 mil quilômetros na capital paulista. Ao todo, 11 estudos foram realizados para entender as necessidades da população, quais dados podem ser coletados, sensores que podem ser instalado e em qual a periodicidade da coleta. Inicialmente, a prefeitura pedia no edital que o tempo de coleta das informações em tempo real fosse realizado em 15 segundos, mas as empresas que devem participar da licitação pediram revisão deste tempo de coleta.
"Todos os 11 estudos que recebemos disseram que era possível consultar em tempo real, em 15 segundos. Mas eles pediram para rever o tempo, pois haverá muita informação para ser coletada", disse Chiovetti durante o a oitava edição do Forum Mobile +, que acontece em São Paulo nesta quarta-feira, 23. "Nós vamos pagar e queremos um produto de qualidade para o cidadão paulistano".
Após a aprovação do TCM, que está analisando o projeto desde julho, o edital deverá ser publicado e as empresas terão 60 dias para preparem as propostas. Em entrevista a este noticiário após sua palestra, Simão Pedro Chiovetti afirmou que licitação é internacional e que as empresas poderão formar consórcios para entrar no processo.
Fab Labs e pontos conectados
Simão Pedro abordou outra novidade da Prefeitura de São Paulo para tecnologia, o processo de transformação dos Telecentros em Fab Labs, centros de criação e desenvolvimentos de tecnologia abertos à população. Nessas unidades, serão instaladas impressoras 3D, plotter de corte a laser, computadores de alta capacidade, utilização de materiais com Raspeberry Pi que possibilitam a criação de produtos conectados à Internet das coisas (IoT) e drones.
O secretário afirma que quatro telecentros serão entregues neste ano: Cidade Tiradentes, Penha, Itaquera e Galeria Olido (Centro). Mais outros oito Fab Labs devem ser instalados em 2016. O Instituto de Tecnologia de Software (ITS) ganhou a licitação da prefeitura para ministrar cursos e cuidar da administração das unidades.
Sobre os pontos de ônibus conectados, Marcos Ablas, gerente sênior da Promon Logicalis, afirmou que está esperando uma resposta da Otima, responsável pela administração dos novos pontos em São Paulo. No ponto inteligente, as máquinas teriam Wi-Fi e sensores de umidade, temperatura, poluição, abertura e câmera de vídeo. Um protótipo foi instalado para testes na Avenida Faria Lima, Zona Oeste de São Paulo.

Fonte: Teletime News de 23 de setembro de 2015, por Henrique Medeiros.

Alterar ou não a LGT é dilema nos debates sobre novo modelo de concessão

Governo e Anatel querem apressar o debate sobre o novo modelo de concessão da telefonia para destravar investimentos no setor, mas um ponto ainda suscita muita divergência: a necessidade ou não de alterar a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), ou seja, se o processo vai depender ou não do Congresso Nacional. Para o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão, mesmo sem mudança na lei, o aval dos parlamentares é necessário para legitimar o processo.
O conselheiro da Anatel Rodrigo Zerbone acredita que, sem mudança na LGT, as alterações não passarão de remendos, que trarão problemas no futuro. Como Martinhão, ele defende a adoção de licença única para os serviços, sem separação de regime público e privado. Mas quer mecanismos para universalização e para continuação dos serviços que, no caso, incluiria a banda larga.
O conselheiro Igor de Freitas, por sua vez, defende as alterações por meio de normas infralegais. Ele afirmou que um dos pontos mais polêmicos dos contratos, os bens reversíveis, não demanda mudança na LGT. "Depender do Congresso Nacional irá atrasar todo um processo, que requer rapidez", avalia.
A mesma posição é defendida pelo advogado Floriano Marques. Para ele querer mudar tudo que não serve mais na lei é o mesmo que postergar a decisão, é deslocar o debate da área técnica para o Congresso Nacional, sem saber no que vai resultar. Ele defende a manutenção da concessão, de forma reduzida, com cortes de obrigações de universalização e a concepção do conceito de bens reversíveis de patrimonial para funcional. "Basta quantificar o que precisaria ser devolvido ao final do contrato e obrigar as concessionárias a investir esses montantes nas redes", sugere.
A universalização da banda larga, na opinião do advogado, viria por meio de discretas concessões, utilizando o modelo de parcerias público-privadas, sem necessidade de tornar o serviço prestado em regime público. "É possível equacionar as questões do setor com criatividade, parece razoável redesenhar a telefonia fixa, por meio do PGO [Plano Geral de Outorga] e PGMU [Plano Geral de Metas de Universalização], com algumas alterações no contrato de concessão", pontua.
Já as concessionárias não veem mais motivos para acabar com as concessões. Segundo o diretor de Estratégia Institucional e Regulatória da Telefônica/Vivo, Aloysio Xavier, manter a concessão com redução das obrigações e com ajuste no conceito de reversibilidade seria suficiente para manter a sustentabilidade e a saúde financeira das prestadoras. Migrar par o fim da concessão, só mais tarde.
Sobre a banda larga, Xavier disse que as operadoras estão dispostas a massificar o serviço, com algumas alterações na regulamentação. Mas para a universalização, afirma que é preciso de política pública, subsídios, fundos públicos, leilões reversos, análise de projetos bottom-up (pequenos projetos com incentivos) e a adoção do serviço universal no lugar do serviço em regime público.
Para a representante do Fórum Nacional para Democratização das Comunicações (FNDC) Renata Miele, a banda larga tem que ser prestada em regime público e privado e não pode ser incluída nos contratos de concessão. Para isso, a entidade defende a alteração do PGO, sem necessidade de recorrer ao parlamento. Ela defende também maior controle dos bens reversíveis, para evitar maiores prejuízos para a sociedade e para o Estado brasileiro.

Fonte: Teletime News de 22 de setembro de 2015, por Lucia Berbert.

"Day after" da reforma: cenários para o futuro Minicom

Não será surpresa nenhuma a saída de Ricardo Berzoini do Ministério das Comunicações nos próximos dias, possivelmente para assumir a Secretaria Geral da Presidência ou algum outro posto que lhe permita fazer a coordenação política da presidenta Dilma Rousseff diretamente no Planalto, coisa que já vem fazendo na prática, mesmo sem cargo para isso. Essa hipótese é pública, ainda que não formalmente definida. A questão é o que virá depois para o Ministério das Comunicações. Por enquanto, não há muita informação concreta, mas o quadro não é alentador, mesmo fazendo-se apenas uma análise de cenários em cima das hipóteses que têm sido mais citadas.
É fato que desde que Dilma assumiu a presidência, em 2011, o Minicom ganhou status junto ao governo, passando a ser ocupado por quadros importantes do PT, com acesso privilegiado ao Planalto. Foi assim com Paulo Bernardo e mais ainda com Ricardo Berzoini. Ambos com perfil conciliador, atentos aos pleitos empresariais, razoavelmente permeáveis aos movimentos sociais (a depender da própria relação do governo com esses movimentos), procuraram manter uma gestão técnica das questões da pasta, sem dar espaço para maiores interferências políticas. Ambos os ministros que Dilma escalou até aqui para o Minicom ficaram, por outro lado, igualmente distantes das pautas históricas do próprio PT em relação à regulação da mídia, aparentemente por orientação, ou por falta de comando, da própria presidenta. Mas é inegável que o Minicom ganhou status político, independência do Congresso e formulou políticas setoriais efetivas, o que não aconteceu no governo Lula. Agora, tudo isso pode mudar.
Cenários
Não se sabe o que será do Ministério das Comunicações com uma eventual saída de Berzoini. Fala-se em uma fusão com a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) para acomodar Edinho Silva. É uma hipótese que já circulou no começo do segundo mandato de Dilma, não foi adiante e possivelmente representaria um retrocesso nas relações políticas com os grupos de comunicação, que teriam de um lado um regulador, e de outro um gestor de verbas publicitárias estatais. Sem falar no fato de que a Secom faz comunicação governamental, e não regula o mercado de comunicações. São duas coisas que só têm a palavra "comunicação" em comum.
Analisou-se uma aproximação do Minicom com o Ministério da Cultura, onde também há sinergias, mas a pauta da Cultura parece ser muito ampla para um ministério dividido. Há também boatos sobre a volta de um Ministério de Infraestrutura que poderia ter Transportes e Comunicações. Ao que tudo indica, isso nunca entrou de fato em análise. Os boatos, portanto, seriam apenas um recall do modelo analógico da década de 90, em que estradas e cabos de telefone estavam mais ou menos em uma mesma dimensão. Hoje, a única coisa em comum entre as duas áreas é que ocupam o mesmo prédio na Esplanada. Não faria nenhum sentido.
Fala-se com cada vez mais insistência em uma fusão do Minicom com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Essa hipótese passa, na verdade, pelo futuro do atual ministro da Casa Civil Aloízio Mercadante, que todos os partidos da base aliada, do PT ao PMDB, querem ver fora do Planalto, menos a própria Dilma. Para sair, Mercadante precisaria "cair para cima", com um ministério turbinado. MCTI e Minicom nunca estiveram juntos em sua história, mas quem já estudou o assunto vê sinergias importantes, sobretudo na área da economia digital. Trata-se de um tema que, comenta-se no governo, tem despertado muito interesse de Mercadante nos últimos meses. Se a hipótese prosperar, o setor teria um ministro de peso em uma pasta ainda mais forte, mas ganharia um interlocutor conhecido por ter muitas certezas e pouca disposição para ouvir. Ressalte-se adicionalmente que para que essa fusão inédita MCTI/Minicom aconteça, não só Dilma teria que tirar seu braço-direito do Planalto como teria que ser abortado outro plano que vem sendo muito comentado: uma fusão do MCTI com o Ministério da Educação, outro super-ministério que poderia abrigar o atual ministro da Casa Civil.
Sem PT
O que virá,  se virá e como virá, só Dilma sabe. Qualquer coisa além disso é palpite. Mas um palpite mais ou menos seguro é que, saindo Berzoini e Mercadante ficando onde está, o Ministério das Comunicações não deve mais ficar com o PT. De um lado porque Dilma não mostra disposição nenhuma de levar adiante qualquer projeto de regulação das comunicações e a promessa de campanha do Banda Larga para Todos depende agora da área econômica. Sendo um programa fortemente dependente de desonerações, e sendo esta uma palavra proibida no governo, as chances de ir adiante são mínimas no cenário atual. Além disso, o ministério é um bom balcão político, por conta das outorgas de radiodifusão e da máquina (e orçamento) dos Correios. O governo precisa de todas as moedas que tiver para segurar a base.
Se for esse o cenário, no colo de quem cairia o Minicom? O PMDB poderia retomar o espaço que teve no governo Lula, com Eunício Oliveira e Hélio Costa, hipótese que também agrada algumas empresas do mercado de radiodifusão, mas parece não ser a prioridade do próprio PMDB. Mas outros partidos/bancadas, ligadas a outros grupos radiodifusores/evangélicos, também têm interesse, estando o PRB no primeiro lugar da fila. Se isso acontecer, pode-se esperar mais ou menos o que se tinha até 2011: pouco protagonismo do ministério em questões setoriais, maior influência política e permeabilidade a demandas parlamentares.
Berzoini fez algo enquanto esteve à frente da pasta que seu antecessor, Paulo Bernardo, não havia feito: liberou o próprio setor a conversar com outras áreas do governo, como o Planejamento e a Fazenda, sobre questões tão amplas quanto políticas tributárias e modelo de concessão. Isso é bom porque coloca quem tem o poder que realmente conta nesse momento (o do dinheiro) no centro das decisões, o que pode dar peso a algumas iniciativas, como a reforma do modelo atual. O lado ruim é que tanto o Planejamento quanto a Fazenda não têm as comunicações no centro de suas prioridades e nem dispõem de bagagem técnica para discutir questões muito específicas. Mas, na hipótese de o Minicom perder envergadura, é bom ter essas pontes com outros órgãos.
Para a radiodifusão, uma mudança de ministro terá um efeito positivo. Não que não se tenha Berzoini em boa conta entre as emissoras de rádio e TV, mas o ex-deputado Emiliano José na Secretaria de Comunicação Eletrônica foi um nome difícil para as empresas de mídia aceitarem, por sua forte vinculação à militância pela democratização das comunicações. Ainda que, na prática, não tenha sido autorizado a fazer nada.
Nessa análise de cenários, as alternativas para o Minicom não parecem muito empolgantes. Uma saída para tentar blindar o Ministério das Comunicações dos efeitos colaterais de uma eventual reforma seria uma boa reestruturação interna, prévia, revisando as secretarias e funções do Minicom, estabelecendo melhor os projetos prioritários. Não é garantia de nada, já que quem chegar poderá mexer no que quiser, mas pelo menos chegará com um roteiro parcialmente escrito. A reforma, se é que o governo terá força para bancá-la, deveria idealmente pensar em fortalecer o Ministério das Comunicações em uma realidade cada vez mais digital, com um projeto efetivo não só de massificação de redes e conteúdos condizentes com essa nova realidade, mas de tornar esse debate o centro de políticas econômicas, sociais e de reestruturação do próprio Estado. No contexto atual, é improvável que isso aconteça, mas o sonho é livre.

Fonte: Teletime News de 22 de setembro de 2015, por Samuel Possebon.

TCU volta atrás e diz que saldos do Fistel podem ser usados em outras áreas

O Tribunal de Contas da União (TCU) acatou, parcialmente, recurso da Secretaria de Orçamento Federal, do Ministério do Planejamento, e reformulou o entendimento acordado em 2013 de que os saldos financeiros do Fistel não poderiam ser usados pelo Tesouro Nacional no custeio de ações estranhas aos serviços relacionados às atividades de fiscalização dos serviços de telecomunicações. Pela nova decisão, há base legal para a utilização dos recursos em outras áreas.
Em declaração de voto na reunião da semana passada, o ministro substituto Augusto Sherman reconheceu que a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) deu nova redação à norma do fundo, abrindo a possibilidade da realização de transferência de recursos ao Tesouro Nacional, nesse caso, sem fazer vinculação alguma das aplicações de recursos efetuados. Ele entendeu também que a Lei de Responsabilidade Fiscal não se aplica à situação das transferências ao Tesouro de recursos do Fistel. "Não houve a vinculação legal daquela receita excedente", revisou o ministro.
Com essa nova posição, o relator do acórdão inicial acompanhou o voto do relator do recurso, ministro Vital do Rego, que tornou sem efeito parte da recomendação proposta em 2013 e determinou à Anatel que elabore e faça acompanhar as propostas orçamentárias da própria autarquia e do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) de quadro demonstrativo do planejamento plurianual das receitas e despesas, visando ao seu equilíbrio orçamentário e financeiro nos cinco exercícios subsequentes, contendo o montante a ser transferido ao Fust (transferência também prevista pela LGT) e os saldos a serem direcionados ao Tesouro Nacional.
O ministro também determinou ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão que, quando da elaboração da proposta de lei orçamentária anual, é necessário levar em consideração o plano plurianual apresentado pela agência. E que, no tocante à proposta de lei orçamentária para 2016, enviada ao Congresso Nacional em agosto deste ano, comprove perante o TCU, no prazo de 30 dias, que foram observados os ditames estabelecidos na LGT.

Fonte: Teletime News de 21 de setembro de 2015, por Lucia Berbert.

Senado examina PL que altera funcionamento das agências reguladoras

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado examina na última quarta-feira, dia 23, o projeto da Lei Geral das Agências Reguladoras (PLS) 52/2013. A proposta, que faz parte da chamada Agenda Brasil criada pelo Senado, estabelece regras relativas à gestão, organização e mecanismos de controle social das agências reguladoras federais, incluindo Anatel e Ancine, e promove ainda ajustes nas leis específicas de criação de cada uma delas.
A proposta do senador Eunício de Oliveira (PMDB-CE) reproduz, em grande medida, o conteúdo do Projeto de Lei da Câmara 3.337/2004, editado para aumentar o controle das agências reguladoras pelos ministérios a que são vinculadas. O projeto foi arquivado a pedido da presidente Dilma Rousseff em 2013, após quase dez anos sendo analisado pelos deputados.
Há no texto, entre outros pontos, um dispositivo para que as agências custeiem o acompanhamento de matérias em tramitação pelos órgãos de defesa do consumidor por meio da contratação de especialistas e pagamento de despesas. A proposta exige a apresentação anual de uma prestação de contas ao Congresso por parte das agências e a celebração dos chamados contratos de gestão, que devem trazer metas, mecanismos, fontes de custeio e resultados das ações regulatórias e fiscalizatórias das autarquias. O projeto também prevê uma série de dispositivos para vincular a atuação das agências reguladoras aos órgãos de defesa da concorrência.
O relator na CCJ, senador Walter Pinheiro (PT-BA), promoveu uma série de mudanças no projeto. Segundo Pinheiro, a proposta tem objetivo de afastar uma das principais distorções no modelo vigente, "que é o exercício de competências de governo pelas agências reguladoras, como a absorção da atividade de formulação de políticas públicas e do poder de outorgar e conceder serviços públicos".
Uma das emendas apresentadas pelo senador prevê que os presidentes das agências compareçam, anualmente, ao Congresso para prestar contas da atuação das agências em seus respectivos mercados regulados. Para o senador, a proposta vai aperfeiçoar a ação regulatória.

Fonte: Teletime News de 21 de setembro de 2015, pela equipe de Redação.

Abert entrará na justiça contra a portaria das rádios comunitárias

A Abert entrará na justiça contra a portaria das rádios comunitárias. Nesta segunda, 21, o Ministério das Comunicações publicou as Portarias 4.334 e 4.335 que, respectivamente, estabelecem nova regulamentação aos serviços de radiodifusão comunitária e educativa.
Segundo nota da associação, a Abert considera "motivo de indignação que as rádios comerciais, que há anos sofrem com a burocratização dos seus processos administrativos de outorga e de pós-outorga, bem como pela demora na fixação do preço público de migração do AM para o FM, estejam excluídas deste projeto normativo".
A associação também diz que as normas pretendem estabelecer novas fontes de receitas às rádios comunitárias, equiparando-as às emissoras comerciais, o que, segundo a Abert, é "à revelia da legislação e do princípio constitucional da complementaridade do serviço de radiodifusão.
Veja a nota na íntegra:
Abert ingressará na Justiça contra portaria de rádio comunitária
O Ministério das Comunicações publicou, hoje, as Portarias 4.334 e 4.335 que, respectivamente, estabelecem nova regulamentação aos serviços de radiodifusão comunitária e educativa.
A Abert acredita que toda a regulamentação que se destine à desburocratização e simplificação do setor de radiodifusão é positiva.
Infelizmente, é motivo de indignação que as rádios comerciais, que há anos sofrem com a burocratização dos seus processos administrativos de outorga e de pós-outorga, bem como pela demora na fixação do preço público de migração do AM para o FM, estejam excluídas deste projeto normativo.
Ainda em maio deste ano, em conjunto com as associações estaduais e de seus associados, a Abert apresentou ao Grupo de Trabalho de Desburocratização dos Processos de Outorga e Pós-Outorga de Serviços de Radiodifusão – GTDS, um amplo projeto de reforma normativa, no âmbito de competência do Ministério das Comunicações, com vistas a simplificar os processos das rádios comerciais. Nenhuma, até a presente data, prosperou.
Além disso, e novamente à revelia da legislação e do princípio constitucional da complementaridade do serviço de radiodifusão, referidas normas pretendem estabelecer novas fontes de receitas às rádios comunitárias, equiparando-as às emissoras comerciais.
Exemplo disto, é a redação do artigo 106 da Portaria 4.334/2015, que permite a veiculação de qualquer tipo de anúncio ou publicidade, desde que não contenha divulgação de preço ou condições de pagamento.
A Abert informa que adotará medidas judiciais para resguardar os direitos de nossos associados e do setor de radiodifusão.

Fonte: Teletime News de 21 de setembro de 2015, pela equipe da Redação.

Minicom simplifica outorgas de rádios comunitárias e educativas

O Ministério das Comunicações publicou portarias desburocratizando o processo de outorga de novas rádios comunitárias e de emissoras educativas, reduzindo de forma significativa o número de documentos que deverão ser apresentados pelas entidades durante a seleção. Pelas novas regras, para concorrer a uma autorização de rádio comunitária, cada interessado vai ter de apresentar apenas sete documentos – antes eram 33.
A Portaria nº 4334/2015 revoga a norma anterior sobre radiodifusão comunitária e simplifica os procedimentos para o radiodifusor. Uma das novidades é que não será mais exigida a apresentação de projeto técnico da emissora, o que deve dar celeridade à apresentação de documentos pelas entidades.
Na nova norma, o ministério também regulamenta as situações que configuram vínculo político, religioso, comercial e familiar dos dirigentes das entidades interessadas. Se comprovado o vínculo, o ministério pode indeferir o processo da entidade concorrente a uma outorga de rádio comunitária. Veda também a cessão de horários da programação.
A portaria também permite ao Ministério das Comunicações abrir editais de seleção de rádios comunitárias a qualquer tempo, além dos já previstos no Plano Nacional de Outorgas (PNO). Esses editais para abertura de novas emissoras, no entanto, devem contemplar exclusivamente comunidades tradicionais, como assentamentos rurais, áreas quilombolas e indígenas.
Entidades e radiodifusores executantes do serviço de radiodifusão comunitária poderão esclarecer dúvidas sobre as mudanças nos processos de outorga e pós-outorga pelo emailduvidasradcom@comunicacoes.gov.br. O ministério também disponibilizará uma cartilha explicativa sobre as mudanças trazidas pela nova portaria e a simplificação dos procedimentos.
Rádios educativas
A portaria Nº 4335/2015 estabelece o trâmite relacionado à obtenção de outorgas de rádio e TV educativa. Nesse caso, a relação de documentos também será simplificada e vai cair dos atuais 18 para quatro no caso das entidades privadas, e de cinco para um quando as interessadas forem entidades públicas.
Dentre as novidades, está a determinação de fases específicas do processo seletivo para acompanhamento das entidades sobre a fase em que seu processo se encontra, com especificação das fases de pós-outorga e descrição dos procedimentos necessários para cada um dos assuntos. Ao mesmo tempo, serão instaurados processos de renovação pelo Ministério das Comunicações, com aviso prévio às entidades sobre o vencimento da outorga. O intuito desta alteração é acabar com a grande quantidade de pedidos de renovação protocolados intempestivamente.
Além disso, será possível complementar a documentação caso todas as concorrentes sejam inabilitadas, com intuito de diminuir o número de seleções sem nenhuma entidade vencedora. Haverá ainda processos de seleção específicos para comunidades tradicionais.

Fonte: Teletime News de 21 de setembro de 2015, por Lucia Berbert.