terça-feira, 20 de setembro de 2016

A Anatel está perdendo o protagonismo para o TCU

A Anatel está perdendo o seu protagonismo como regulador do setor de telecomunicações para o Tribunal de Contas da União (TCU), e isso mostra uma crescente fragilização estrutural do modelo regulatório pensado para o setor.
Uma rápida consulta nas notícias dos últimos 12 meses mostrará que questões importantes típicas da esfera da agência, como o tratamento dos bens reversíveis, a celebração dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com as empresas, a atuação da agência no processo de recuperação financeira da Oi, a reavaliação periódica dos contratos de concessão, as franquias da Internet móvel e fixa, o compartilhamento de infraestrutura entre as empresas, regras dos leilões de espectro e até mesmo o controle de arrecadação dos fundos setoriais foram objeto de manifestações, acórdãos ou cautelares do tribunal. Esta semana, o TCU deve julgar o acompanhamento que a Anatel faz da qualidade dos serviços móveis, em decorrência de uma auditoria iniciada há pouco mais de um ano.
A atuação do TCU e dos outros órgãos de controle, como Ministério Público e a antiga CGU (hoje Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle) é saudável e faz parte de um movimento de pesos e contrapesos na atuação dos entes públicos, especialmente das agências reguladoras, que devem ser autônomas e orientadas por referenciais técnicos, mas precisam ficar atentas ao constante risco de captura e às boas práticas da administração pública.
Mas há fortes evidências de que esse equilíbrio esteja descompensado, e que hoje os órgãos de controle estejam influenciando mais na definição das questões setoriais do que o trabalho da própria agência. No começo deste mês, durante o Seminário da Associação Brasileira de Direito das Tecnologias da Informação e das Comunicações (ABDTIC), o advogado Eduardo Ramires, que há anos acompanha o setor de telecom, verbalizou aquilo que empresas e Anatel falam nos bastidores: "O TCU ficou muito grande, famoso, suas decisões são propaladas e pouca gente compreende na natureza técnica delas, e isso gera medo que impede as pessoas de tomar decisões. E para que servem agentes públicos que não possam tomar decisões e assumir responsabilidades? Precisamos recuperar o espaço de deliberação do administrador, sem transferir a decisão para o Tribunal de Contas", disse o advogado.
O fato é que é sintomático que hoje a Anatel esteja mais preocupada em saber a posição do TCU antes de tomar as suas decisões do que buscar o Congresso ou o governo, que são os formuladores de políticas e que supostamente deveriam dar as diretrizes e prioridades da atuação (técnica) da agência.
Esta preocupação decorre do simples fato de que a agência é movida por servidores, a maior parte de carreira, e qualquer servidor teme carregar um processo administrativo por anos, pelo qual pode ser responsabilizado na pessoa física, sem nenhuma garantia de que o Estado ou o seu órgão de origem assumirão a responsabilidade (e os custos) por sua defesa. O mesmo vale para a fiscalização exercida pelo Ministério Público e pela CGU, sem falar nas pressões e cobranças do Congresso e do Judiciário que também chegam à agência diariamente. A Anatel é hoje uma autarquia autônoma por lei, mas que na prática age, antes de tudo, para se defender e evitar problemas com os órgãos de controle.
O problema do sistema de controle que se criou no Brasil é que ele não é necessariamente coerente. Não se pode dizer que o foco do TCU ou do MPF seja necessariamente a defesa do consumidor, ou a liberdade de empreendimento, ou a preservação do patrimônio público. A cada decisão a balança pende para um lado. Às vezes, na mesma decisão, a ordem é regular mais e menos ao mesmo tempo. Muitas vezes o rigor se dá apenas em torno de determinações burocráticas estabelecidas em normas e regulamentos que se tornaram anacrônicos, mas que não são alterados justamente por medo desta fiscalização e dificuldade de colocar em prática ideias mais inovadoras e flexíveis em um ambiente de medo institucional.
A Anatel perdeu o protagonismo muito por sua própria culpa, mas também há muita responsabilidade dos governos e do próprio setor de telecomunicações nesse processo. A agência demorou para modernizar seus referenciais regulatórios, sua estrutura e sua base de informações setoriais; pouco fez para lutar pelo fortalecimento da carreira de seus servidores; tornou-se refratária às críticas da sociedade e foi tímida e relutante nos seus posicionamentos. O governo, afogado na briga eterna entre o Tesouro e as áreas finalísticas (se é que no Brasil existe algo que seja mais finalístico do que as finanças públicas), nunca conseguiu imprimir uma linha clara do que queria da agência. E as empresas ora queriam uma Anatel independente, ora buscavam resolver seus problemas na base da canetada política. Enquanto isso, o TCU e os demais órgãos de controle ganharam espaço, sem o contraponto de uma agência setorial forte.
O momento político, pelo menos no discurso, é liberalizante, voltado para a atração de investimentos, e desregulamentação virou a palavra da vez. Resta saber como esse impulso sobreviverá aos inevitáveis acórdãos que virão.

Fonte: Teletime News de 12 de setembro de 2016, por Samuel Possebon.

Flexa Ribeiro é o relator da indicação de Quadros à Anatel

O relator do processo de indicação de Juarez Quadros para a presidência da Anatel na Comissão de Infraestrutura do Senado será o senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA). A previsão é de que a sabatina possa ser realizada no dia 21 de setembro, mas para isso é necessária a leitura prévia do relatório na Comissão, que deve acontecer esta semana, e da realização de sessão plenária do Senado no dia 21, o que ainda não é certo. Neste caso, a sabatina ficaria para o dia 4 de outubro.
A designação do senador traz um fato curioso. Flexa Ribeiro já foi presidente da comissão e tem um dos projetos de lei mais ousados tratando da reversibilidade de bens, que é um tema crítico que precisará ser abordados por Juarez Quadros em seu mandato na Anatel, se aprovado.
Trata-se do PLS 53/2010, que está parado na Comissão de Constituição e Justiça desde o começo de 2015, quando foi desengavetado, e conta com parecer pela aprovação. Basicamente, o projeto estabelece o fim do instituto dos bens reversíveis na prestação de serviços em regime público, determinando um acerto de contas entre o poder concedente e as empresas. Além disso, o projeto diz que as obrigações de continuidade associadas aos serviços explorados em regime público serão regulamentadas com base no princípio constitucional de função social de propriedade. A análise completa do projeto pode ser lida aqui.

Fonte: Teletime News de 12 de setembro de 2016, por Samuel Possebon.

SES e Thales Alenia assinam acordo para novo satélite e conectividade em aviões

A operadora de satélites SES anunciou nesta segunda-feira, 12, parceria com a Thales Alenia Space para a construção do SES-17, que deverá ser lançado em 2020, cobrindo as Américas e a região do Atlântico com banda Ka. O aparelho fará parte de um novo sistema de conectividade de bordo em voos, o FlytLive, previsto para entrar em operação já na metade de 2017 – a operadora fornecerá a infraestrutura satelital para a plataforma com outros dois satélites multi-beam de banda Ka já lançados, mas ainda não revelados. A ideia é fornecer serviços de Internet em rotas comerciais, incluindo streaming de vídeo, games, redes sociais e TV ao vivo para passageiros na América do Norte, América do Sul, Caribe, México e Oceano Atlântico.
O SES-17 será totalmente elétrico e construído em cima da plataforma Spacebus Neo da Thales Alenia com otimização para mobilidade e serviços de aviação. Ele pesará mais de seis toneladas e oferecerá uma potência acima de 15 kW, com expectativa de vida útil de 15 anos. A carga terá 200 spot beams flexíveis. Além de complementar a capacidade de órbita geoestacionária, o artefato também atuará em conjunto com os 12 satélites de banda Ka e órbita média da O3b Networks para fornecer dados a clientes de empresas, além de contratos com governo e cobertura marítima. A posição orbital do SES-17 ainda não foi divulgada.
De acordo com a Thales, as companhias aéreas poderão utilizar soluções fim-a-fim da empresa como antena modular e "radomos" (antenas de radares) multifrequências, além de Wi-Fi na cabine. A plataforma trará ainda gerenciamento de banda e sessões, entrega de conteúdo, ferramentas de suporte operacional, além de recursos de manutenção e serviço.
Evento discute comunicação embarcada
Na próxima semana (dias 22 e 23 de setembro) acontece no Rio de Janeiro o Congresso Latinoamericano de Satélites. O tema de comunicações embarcadas é destaque em uma das sessões, com participação das empresas Thales e GEE Media (Global Eagle Entertainment), que falarão sobre o mercado de comunicações e entretenimento a bordo de aeronaves. A SES também participa do evento, com uma apresentação sobre a realidade de vídeo IP em redes de satélite. Mais informações sobre o evento estão disponíveis no site oficial, incluindo programação e condições de inscrição.

Fonte: Teletime News de 12 de setembro de 2016, por Bruno do Amaral.

MCTIC promove seminário de IoT e 5G em parceria com União Europeia

No âmbito do programa Diálogos Setoriais, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) promove em parceria com a União Europeia um seminário sobre Internet das Coisas (IoT) e 5G em Brasília, o ICT Week, entre os dias 20 e 23 de setembro. Além desses dois principais temas, o evento discutirá políticas públicas para segurança cibernética no País; impacto de IoT na indústria; Internet das Coisas na agricultura; cidades inteligentes; impacto de serviços over-the-top (OTT); regulação de Internet; privacidade e proteção de dados pessoais; e pesquisa e desenvolvimento em 5G. O MCTIC deverá apresentar também um estudo sobre ecossistema de IoT no Brasil e na Europa.
O seminário é parte do programa de relação bilateral Diálogos Setoriais, iniciado em 2008 para estreitar laços entre Brasil e Europa com troca de informações em projetos de mais de 30 áreas em comum, como ciência e tecnologia. Além de membros de agências, do governo e do mercado, o ICT Week contará com participação do ministro do MCTIC, Gilberto Kassab, o embaixador da UE no Brasil, João Gomes Cravinho, e a de ministros das Relações Exteriores (José Serra), da Defesa (Raul Jungmann) e do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (Dyogo Oliveira). Clique aqui para conferir a programação. As inscrições podem ser feitas neste formulário.

Fonte: Teletime News de 12 de setembro de 2016, por Bruno do Amaral.

Pequenos provedores voltam a impulsionar crescimento da banda larga fixa em julho

Pelo sétimo mês consecutivo a base total de banda larga cresceu no Brasil, de acordo com dados da Anatel divulgados nesta sexta, 9. Em julho, o mercado registrou 26,306 milhões de acessos fixos, um crescimento de 0,67% em relação ao mês anterior. No comparativo com o mesmo mês em 2015, o aumento da base é de 4,81% (1,208 milhão de adições líquidas). E, pela quarta vez neste ano, o grupo de pequenos provedores (ISPs, categorizados como "outros") é o maior responsável pelo aumento da base brasileira.
Os ISPs cresceram 2,83% no mês, ou 71,9 mil adições líquidas, totalizando agora 2,615 milhões de conexões. No ano, o aumento é de 19,57%. Somados, os ISPs seriam a quarta maior operação brasileira, com 9,94% de participação no mercado. A líder, com 31,66%, ainda é a América Móvil Brasil (Net, Claro e Embratel), que em julho aumentou 0,49% de sua base, totalizando 8,328 milhões de acessos. O avanço anual é de 5,01%. Em seguida vem a Vivo (com 28,33% de marketshare), com 7,452 milhões de acessos, aumento de 0,29% e 2,11% no mês e no ano, respectivamente. E em terceiro aparece a Oi (24,33% do mercado), com aumento de 0,19% no mês e queda de 0,75% no ano, totalizando 6,401 milhões de conexões.
Em termos de tecnologia, o cabo (cable modem e HFC) apresentou maior avanço líquido (80,3 mil adições) no mês, um aumento de 0,95% que resultou em uma base de 8,530 milhões de acessos no período. No ano, o crescimento é de 5,12%. A tecnologia líder é a xDSL, que aumentou 0,26% no mês e 0,47% no ano, total de 13,391 milhões de conexões. Os tipos de acesso wireless (frame relay, FWA, LTE, MMDS, Spread Spectrum e WiMAX) juntos totalizaram 2,194 milhões de acessos, aumento mensal e anual de 0,89% e 17,22%, respectivamente.
As conexões de banda larga com fibra (FTTx) somaram 1,518 milhão de linhas, avanço de 2,15% no mês e de 30,31% no ano – este o maior proporcionalmente no comparativo de 12 meses. Por fim, as conexões por satélite e DTH somaram 68,2 mil acessos em julho, uma queda de 1,43% no mês, mas ainda apresentando 5,31% no ano. Vale ressaltar que foi a partir desse mês que a HughesNet iniciou comercialmente suas operações em banda Ka, embora a Anatel já contabilizasse sua base nos meses anteriores. A operadora somou 16,5 mil acessos em julho, avanço de 10,36%. Os números da Anatel contam os acessos corporativos em banda Ku também.
Velocidade
Em termos de velocidade de acesso, o mercado continuou a mostrar evolução nos acessos mais rápidos, especialmente na faixa intermediária de 12 Mbps a 34 Mbps, que avançou 2,67%, ou 174,2 mil adições líquidas. Foi a que mais cresceu em termos líquidos no ano: 2,121 milhões de adições (46,36% de aumento). No total, esse segmento conta com 6,698 milhões de conexões e é o terceiro maior, com 25,46% do mercado. Mantendo esse ritmo, é possível que venha a ser o segundo maior em outubro, ultrapassando a faixa de 512 kbps a 2 Mbps, atual segunda colocada (com 7,030 milhões de linhas, ou 26,72% do mercado). Esse recorte foi reduzido em 0,75% em julho e já acumula uma queda de 9,69% em 12 meses.
Também cresceu a banda larga com velocidade acima de 34 Mbps: 2,89% no mês e 54,41% no ano (a maior proporcionalmente). No total, entretanto, são 1,775 milhão de acessos, ou 6,75% do mercado. Os acessos abaixo de 512 kbps caíram 1,96% (e 14,42% no ano) e totalizaram 1,049 milhão de conexões em julho (3,99% do total).
A faixa ainda com mais acessos no Brasil é a de 2 Mbps a 12 Mbps, com 9,752 milhões de acessos (37,07% de market share), aumento de 0,20% no mês e queda de 5,86% no ano.

Fonte: Teletime News de 9 de setembro de 2016, por Bruno do Amaral.

Base das concessionárias de STFC apresenta nova queda em julho

Em julho, as concessionárias de telefonia fixa totalizaram 25,265 milhões de acessos, uma queda de 0,37%, segundo dados da Anatel divulgados nesta sexta, 9. Foram 92,8 mil desligamentos líquidos no mês, totalizando 25,265 milhões de acessos do serviço. As responsáveis pela queda foram a Oi, com 55,3 mil desligamentos (0,38% de queda), e a América Móvil (Claro, Embratel e Net), com 38,7 mil desconexões (0,39% de queda). As empresas têm base de 14,500 milhões e 9,860 milhões de linhas, respectivamente. As demais empresas mostraram pouca variação no mês, totalizando 730,2 mil acessos na Algar; 173 mil para a Sercomtel e 1,639 mil para a Vivo.
Os dados de julho das autorizadas foram antecipados por este noticiário nesta semana, mas a Anatel corrigiu de 17,339 milhões para 17,330 milhões de acessos, o que ainda significa queda, mas de 0,25%. No total, o mercado chegou a 42,596 milhões de linhas, queda de 0,32%. Os acessos de autorização em julho representavam 40,69% da base, contra 59,31% das concessionárias.

Fonte: Teletime News de 9 de setembro de 2016, por Bruno do Amaral.

Como a FCC pode mudar a história do mercado de TV por assinatura

Tom Wheeler, presidente da FCC, agência reguladora de telecomunicações norte-americana, publicou nesta quinta, dia 8, uma proposta que será votada no dia 29 de setembro e que, se aprovada, promete mudar completamente o mercado de TV por assinatura como hoje ele está estruturado nos EUA, e no resto do mundo. Basicamente, o que a FCC quer é desvincular a distribuição dos sinais de TV paga da necessidade de contratação de um set-top e uma rede exclusivas fornecidas pelas operadoras de TV paga. Hoje, o assinante de TV paga precisa de uma rede dedicada (que pode ser a rede de cabo, IPTV ou via satélite) e um decodificador dos sinais. Algumas programadoras e operadoras começaram há alguns anos a flertar com a distribuição dos sinais por meio de redes IP, num modelo conhecido como TV everywhere, mas essa não é a regra nem é um recurso obrigatório.
O que a FCC quer é que todos os provedores de TV paga ofereçam uma forma de acesso exclusivamente por IP, que permita ao usuário economizar no aluguel do set-top box e na instalação da rede. Segundo estimativas da FCC, nos EUA cada usuário gasta em média US$ 231 em aluguel de set-top, que seriam dispensável dentro do novo modelo. Esses aplicativos precisariam estar disponíveis para qualquer plataforma (celulares, tablets, TVs conectadas ou caixas conectadas, como Apple TV ou Google Chromecast).
Mas a proposta vai além: ela quer que os aplicativos permitam buscas de conteúdo lineares e não-lineares de maneira cruzada, que não discriminem aqueles disponíveis no pacote dos clientes daqueles não contratados, de modo a permitir que pequenos programadores sem distribuição promovam seu conteúdo.
A proposta da FCC prevê que os conteúdos continuem controlados de ponta-a-ponta pela operadora, inclusive em relação à ordem dos canais e manutenção dos espaços de publicidade, como forma de assegurar a proteção contra pirataria, direitos autorais e preservação dos contratos já negociados. Ou seja, as operadoras não seriam obrigadas a liberar os conteúdos em arquivos que pudessem ser acessados fora do aplicativo da própria operadora.
O processo de licenciamento dos aplicativos para as diferentes plataformas de distribuição (lojas de aplicativos, caixas conectadas etc) seguirá um procedimento padrão, do qual os provedores de conteúdo terão participação para assegurar a integridade dos conteúdos e preservação dos contratos. Não haverá nenhuma imposição de tecnologia específica, ficando a cargo de cada operadora desenvolver o aplicativo na linguagem e estrutura mais adequada a cada plataforma. As operadoras também manterão o controle sobre o processo de desenvolvimento do aplicativo da maneira que desejarem, e poderão manter aos seus usuários a opção (não obrigatória) do modelo tradicional de distribuição, com um set-top e com rede própria. O tempo de adaptação é de dois anos para grandes operadoras e mais dois anos para as médias. As operadoras menores do que 400 mil assinantes não terão que cumprir a obrigação. Todos os demais serviços de acessibilidade e serviços de emergência hoje exigidos dos provedores de TV paga devem ser mantidos.
A NCTA, associação que representa as empresas de TV paga dos EUA (da qual Tom Wheeler foi presidente nos anos 70 e 80, aliás), que já vinha fazendo duras críticas à interferência da FCC no mercado de TV paga, focou suas críticas sobre as condições de licenciamento que serão impostas às operadoras de TV por assinatura junto aos detentores de plataformas de distribuição de app. O medo da NCTA é que a FCC imponha as condições.
O comissário da FCC Michael O'Rielly, um dos dois representantes da ala republicana do conselho do órgão regulador (minoritária no governo Obama), disse que ainda analisaria a proposta de Wheeler com cuidado, mas adiantou que ela parece fazer parte "do mundo da fantasia dos poderes ilimitados da FCC" e que a agência deveria se manter no "negócio de licenciamento de espectro e infraestrutura, não conteúdos".
Análise
Na prática, o que a FCC quer é transformar o modelo das operadoras de TV paga num modelo digital, semelhante ao hoje praticado pelo serviço Hulu, que tem canais lineares e conteúdos sob demanda, mas todos distribuídos via app. Esse movimento é antigo na FCC e não se restringe à gestão de Tom Wheeler. O Plano de Banda Larga publicado pela FCC em 2009 já continha a previsão de um dispositivo semelhante, e desde então o assunto sempre permeou os debates públicos entre o regulador norte-americano e as empresas do setor.
A grande mudança da proposta que vai a votação dia 29 virá na possibilidade de pesquisa cruzada de conteúdos, de modo que conteúdos disponíveis fora da operadora apareçam ao assinante numa busca. É um modelo que já foi tentado pelo Google nas suas primeiras plataformas de TV, mas que fracassou justamente porque as operadoras de TV paga não abriam os metadados de suas programações. Não está claro, contudo, como a FCC fará para que provedores de conteúdo que hoje estão exclusivamente na Internet, como Netflix, Hulu, Youtube e Amazon, abram seus próprios metadados para pesquisas integradas. Nem se a busca será limitada a todo o conteúdo ou se deverá ser restrita a empresas que adotem um mesmo padrão.
As empresas mais impactadas pela proposta da FCC são as fabricantes de set-top e sistemas de acesso condicional, que vivem do modelo de caixas com softwares dedicados. Também as empresas de infraestrutura para redes dedicadas a vídeo sentirão, no longo prazo, os impactos, na medida em que a mudança deve acelerar a adoção dos modelos de distribuição exclusivamente IP.
Para as operadoras, existe uma dificuldade contratual, pois nem todas as programadoras permitem a distribuição por meio de apps, preocupações de segurança e preocupação de qualidade, já que as redes IP não oferecem confiabilidade e qualidade de serviço que permitam o mesmo tipo de qualidade de imagem e velocidade de navegação entre os canais de redes de vídeo dedicadas. A mudança deve ter ainda um impacto brutal no tráfego de banda larga. A FCC, por outro lado, não especifica se as operadoras poderão criar ambientes controlados, com qualidade assegurada, para o tráfego dedicado a esses aplicativos, o que poderia configurar quebra de neutralidade. Também não está claro se as operadoras deverão, necessariamente, assegurar o mesmo nível de qualidade dos serviços tradicionais. E também não está explicitado se a entrega do conteúdo por meio de apps terá que ser aberta ao uso sobre qualquer rede banda larga ou apenas às redes providas pelo operador.
Também há uma grande dúvida sobre como funcionará a remuneração das lojas de aplicativos. Hoje, por exemplo, a Apple ganha uma comissão sobre as vendas que sejam feitas por meio de aplicativos existentes em sua plataforma para os sistemas operacionais iOS. Estas lojas de aplicativos seriam "sócias" do assinante? Essa é a grande dúvida dos operadores de cabo, manifestada na nota da NCTA, por exemplo.

Fonte: Teletime News de 9 de setembro de 2016, por Samuel Possebon.