domingo, 16 de novembro de 2014

Billing das coisas: o desafio de remunerar parceiros de serviços no cenário de IoT

No universo da tecnologia, é comum o surgimento de grandes ondas disruptivas, que provocam transformações e fortes mudanças de comportamento e de costumes. Foi o que aconteceu com a disseminação da internet e a explosão do uso do celular em todo o mundo - apenas para citar dois exemplos recentes. Agora, uma nova onda está chegando, trazendo a promessa de uma revolução que vai facilitar a vida das pessoas: a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês).

E o que significa isso? A IoT consiste em um exército de sensores, medidores, dispositivos, vestimentas e acessórios (wearables) conectados à internet, permitindo que pessoas e objetos interajam uns com os outros, criando ambientes inteligentes capazes de tomar decisões por meio da análise e correlação de informações.

Vestimentas e acessórios, por exemplo, serão capazes de coletar informações como batimentos cardíacos, pressão sanguínea, taxa de glicemia, localização, etc. Dispositivos instalados em veículos permitirão monitorar a velocidade, o consumo de combustível, o uso dos freios e o desgaste das peças. Sensores espalhados pelo meio ambiente poderão medir a temperatura, umidade, pressão e luminosidade, entre outros indicadores. Além disso, medidores de consumo coletarão dados referentes ao uso de recursos como energia, água e gás.

Todas essas informações, de diversos tipos, serão transmitidas para sistemas onde serão analisadas, ganhando inteligência para a tomada de decisões, e ficarão disponíveis para uso em diferentes serviços e aplicações. A tendência é que muitos desses serviços sejam oferecidos por meio de parcerias entre empresas, muitas vezes de segmentos distintos, de modo a trazer mais qualidade de vida, segurança, redução de custos ou outro benefício ao cidadão. Por exemplo, o dono de um carro conectado poderá obter descontos no seguro do veículo, se aceitar o seu monitoramento (via sensores de velocidade, de aceleração e frenagem, de consumo de combustível, de desgaste de peças), e ao mesmo tempo usufruir de comodidades de entretenimento e de consulta à internet - para encontrar o restaurante ou posto de combustível mais próximo.

Nesse caso, são serviços que envolvem várias parcerias, entre companhias de seguros, montadoras ou autopeças, empresas de entretenimento e de serviços em geral, além de operadoras de telecomunicações. Vale lembrar que cada uma dessas empresas tem regras próprias de remuneração e comissionamento. Além disso, a oferta do serviço poderá incluir promoções e descontos cruzados entre produtos de parceiros (B2B2C).

Trata-se de um novo cenário, que vai trazer novos modelos de negócios e novas formas de relacionamento com o consumidor - e, também, entre os prestadores de serviços. Mas como monetizar as novas oportunidades geradas pela Internet das Coisas e fazer a tarifação e cobrança adequada desses serviços?

Pois esse é o grande desafio do billing da IoT - ou Billing das Coisas. Para atender esses novos cenários e modelos de negócios, os sistemas de billing terão de evoluir e ganhar mais flexibilidade, de modo a permitir a remuneração adequada dos vários players da cadeia de valor. Isso requer capacidade de tarifar qualquer tipo de transação, em tempo real e com controle de saldo, de propiciar atendimento ao cliente com a visão de todo o ecossistema do serviço e, principalmente, de fazer a gestão das parcerias - o que envolve o controle das regras de remuneração e comissionamento dos contratos firmados entre os vários prestadores de serviços.

É um novo mundo de oportunidades para empresas dos mais diversos segmentos, que, até 2020, poderão compartilhar uma receita global gerada pelos novos serviços da ordem de US$ 3,7 trilhões/ano. No Brasil, a estimativa é que o mercado de novos serviços de IoT alcance US$ 102 bilhões/ano, no mesmo período. Segundo o Gartner, 50% das soluções (produto combinado com serviço) virão de startups, empresas com menos de três anos de idade, e mais de 80% das receitas serão de serviços - muitos deles com receita recorrente.

Para dar suporte a esses novos negócios, serviços e parcerias, o mercado de sistemas de billing também deverá crescer, podendo atingir, no país, a marca de US$ 1,5 bilhão/ano (estimativa), dentro de seis anos. É claro que, para isso, os fornecedores de sistemas de suporte a operações e aos negócios (OSS/BSS) precisam adequar seus produtos de maneira a atender às necessidades desse novo mundo hyper-conectado.
 

Fonte: Elaborado por  Sandra Lis Granado que é gerente de produto da Diretoria de Soluções em Billing do CPqD, publicado pela Convergência Digital de 13 de novembro de 2014.

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