sexta-feira, 27 de março de 2020

Com cobre e DTH encolhendo, foco na fibra aumenta no Capex da Oi para 2020

O foco na fibra já era uma das prioridades para a Oi desde o seu novo plano estratégico, mas agora a operadora aposta todas as fichas no ativo como a principal frente para o turnaround. A companhia espera conter a deterioração das receitas provenientes de tecnologias legadas como o cobre e o DTH. Naturalmente, ela também já vai se preparando para deixar de contar com a receita da unidade móvel, atualmente em avaliação de venda

Isso é percebido pelo perfil dos investimentos da operadora: embora o Capex tenha crescido em 2019 além do que era estimado – para R$ 7,813 bilhões -, isso aconteceu para se priorizar a infraestrutura ótica. Os investimentos nessa rede passaram de R$ 906 milhões em 2018 para R$ 3,078 bilhões no ano passado (39% do total), um aumento de 240%. 

Mesmo com a redução de mais de R$ 800 milhões prevista para 2020, mantendo R$ 7 bilhões para o ano, a proporção da fibra ainda deve aumentar. "Vamos otimizar ainda mais o Capex, mas crescendo o total para a fibra", declarou a CFO da operadora, Camille Loyo Faria, durante teleconferência de resultados nesta quinta-feira, 26.

"O aumento do Capex no ano passado foi para o pontapé no projeto de fibra, vimos uma oportunidade de acelerar para ter melhor crescimento", complementa o CEO da Oi, Rodrigo Abreu. Isso permitiu aumentar a velocidade de homes-passed e homes-connected, argumenta. "Sabíamos que seria um sacrifício em termos de caixa, mas seria muito importante."

Resultados 

O resultado desse investimento já é percebido. A empresa diz que a fibra compensou parcialmente a queda do cobre, uma vez que a participação desse tipo de acesso cresceu de apenas R$ 18 milhões para R$ 132 milhões em um ano (R$ 124 milhões no residencial e R$ 9 milhões no B2B), ou 7,2% da receita líquida total residencial (em 2018 era 0,8%). A receita média por usuário do FTTH subiu 30,1% no mesmo período. 

O FTTH da Oi alcançou 84 cidades ao final de 2019, e já adicionando 44 cidades mais em 2020. Segundo Abreu, a experiência com o rápido crescimento também permite um ajuste na abordagem a ser utilizada para as novas instalações. Isso entra na estratégia de "clusters" da operadora, com a previsão de chegar a uma taxa de conversão de 25% em três anos. "Não estamos apenas fazendo com melhor aprendizado na implantação e vendas, mas também no componente de custo do Capex. No momento, estamos operando com muito menor custo por casa conectada e por home passed", declara.

A empresa espera chegar ao final deste ano com algo entre 8,3 e 8,6 milhões de homes passed. Segundo o executivo, trata-se de uma das maiores implantações de fibra no mundo. "O número de homes connected é enorme comparado a qualquer player local ou internacional", diz, referindo-se a um comparativo do quarto trimestre do ano passado, no qual a empresa adicionou 266 mil casas conectadas. Novas casas passadas, por sua vez, apresentam uma taxa de ocupação (take-up rate) de 12% após dois meses de construção.

Atualmente, a rede da empresa é de 376 km de fibra, podendo chegar com a infraestrutura em 2,2 mil cidades por meio do modelo de reuso. São 54,9 milhões de casas endereçáveis,. A companhia diz que o tempo para iniciar atividades comerciais (time to market) é de 20 dias atualmente. 

Cobre

A estratégia para mudar o foco é natural, explica Rodrigo Abreu. A receita das tecnologias já está caindo, especialmente na telefonia fixa. Por conta das obrigações relacionadas à concessão, ainda há Capex necessário para essa infraestrutura legada. A empresa pretende endereçar isso com uma estratégia de "desnivelamento"para endereçar componentes individuais, além de uma "abordagem proativa em ação regulatória", visando a regulamentação da Lei nº 13.879/2019 (antigo PLC 79). "Vamos ver com a Anatel como reduzir isso, e não só para a operação, porque não faz sentido endereçar Capex significativo em uma base que está morrendo", declara, citando o STFC. Além disso, foca na eficiência da operação. 

A estratégia de desnivelamento é um acompanhamento granular e individual de ativos e barreiras. Nesse contexto, a Oi vai analisar 18 mil escritórios e estações, vendo os custos e obrigações de cada um e dividindo em três categorias: lucrativo, com prioridade para preservar a geração de caixa; não lucrativo, mas que pode ser otimizado ao interromper vendas de cobre, por exemplo; e o não lucrativo, que só pode ser endereçado com mecanismo em sincronia com a evolução regulatória. "Com isso, há potencialmente economias de custo de R$ 500 milhões em curto e médio prazo, e de R$ 1 bilhão em médio e longo prazo."

Fonte: Teletime News de 26 de março de 2020, por Bruno do Amaral.

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