terça-feira, 29 de setembro de 2020

De olho na Oi, Digital Colony dá o recado: 'nosso bolso está cheio'

A Digital Colony, empresa de investimentos de private equity com foco em telecomunicações, tem planos ambiciosos para o Brasil por meio de sua controlada, a Highline, que disputa ativos da Oi. A companhia norte-americana, que gerencia pelo mundo mais de US$ 20 bilhões em ativos e conta com mais US$ 4 bilhões no fundo dedicado, deixou claro de que não são aventureiros no mercado e têm cacife para bancar ofertas. "Nosso bolso está cheio", afirmou a Principal da companhia norte-americana, Geneviève Maltais-Boisvert, em entrevista exclusiva ao TELETIME.

Por estar ainda em fase de negociações, a executiva não pode falar diretamente sobre a Oi, então não foi possível confirmar se a Highline continua no páreo pela unidade móvel. Mas ela visualiza no País um cenário propício para oportunidade de ir às compras, embora um crescimento orgânico (construindo rede própria, por exemplo) ainda seja uma possibilidade.

Um exemplo do poder financeiro da Digital Colony foi a compra em maio da Zayo, uma companhia de infraestrutura de missão crítica do Colorado, Estados Unidos, por US$ 14,3 bilhões. A infraestrutura dessa empresa é de mais de 208 mil km de fibra. No caso da InfrCo da Oi, são 400 mil km. "Se você ver essas transações, [é sinal de que] a gente está comprometido com o negócio. E se vemos a oportunidade, não tem problema, temos o bolso cheio."

"É importante enfatizar que um dos benefícios em ter a Digital Colony é que ela não é como investidores tradicionais, que dão o dinheiro e apenas pedem resultados e KPIs a cada trimestre. A Digital Colony é dedicada à telecomunicações e TICs, e toda a experiência de Geneviève e o restante do time tem sido de muita ajuda para entender o que faz sentido no País, em um ambiente de competição que temos no Brasil", complementa o diretor de estratégia e novos negócios da Highline Brasil, Luis Minoru Shibata.

Vale lembrar que a Highline tem a proposta preferencial (status de "stalking horse") para a área de torres da Oi. A empresa tem ainda grande interesse na área de infraestrutura, na qual enfrenta concorrência com outros pesos pesados como fundos cujos ativos são gerenciados pelo BTG Pactual e pelo menos mais nove propostas. Com a proposta do consórcio da Claro, TIM e Vivo confirmada como stalking horse, não está claro se a Oi Móvel ainda é uma possibilidade concreta para e empresa.

Momento certo

O momento também pareceu ser correto para a investidora norte-americana. Geneviève Maltais-Boisvert explica que a empresa entende que a crise traz impacto no mercado brasileiro, e que o câmbio ainda é muito volátil. "Achamos que é o momento certo para investir. É algo que está sendo um fator, mas vemos como apenas um momento", considera. 

Segundo a executiva, que tem dedicado o último ano ao foco no mercado brasileiro de seu escritório na Flórida, a Digital Colony já observava o País há algum tempo. Ela enxergou no mercado nacional o potencial de consumo de serviços de telecomunicações, como dados, Internet fixa e aumento da penetração do celular. "Já víamos essas tendências antes da covid-19", afirma. Por outro lado, ela entende que houve uma aceleração dessa oportunidade. "Claro que a covid não é algo positivo, mas no Brasil e globalmente tem sido uma tremenda oportunidade de transação, com tudo indo para o online."

Histórico

A Digital Colony foi fundada em 2017. Dois anos depois, a empresa fechou o seu primeiro fundo, de mais de US$ 4 bilhões. Apesar de ser relativamente nova, a companhia afirma ter mais de 25 anos de experiência em infraestrutura. Ela atua em quatro subsetores do ecossistema digital, com ativos de torres, fibra, data centers e small cells. 

Segundo Maltais-Boisvert, a atuação da DC está baseado em quatro pilares:

time de gestão mais forte;

experiência operacional;

força e qualidade dos ativos; e

possibilidade de crescer no mercado de forma orgânica ou por meio de fusões e aquisições (M&A).

A Digital Colony traz a seguinte lista de ativos:

15 Companhias no portfólio

95 Data Centers no mundo, incluindo o portfólio atual da Digital Bridge e Digital Colony

350 mil Torres móveis e small cells 

10 investimentos feitos pela Digital Colony, LP Fund, incluindo a transação da Zayo

US$ 4,1 bi Levantados pela Digital Colony pelo fundo inaugural, Digital Colony Partners

US$ 50 bi Valor da Colony Capital após a aquisição da Digital Bridge em 31 de março

217 mil km De fibras no portfólio

35 mil Nós de small cells 

70 Profissionais de investimento e de operação na Digital Bridge e Digital Colony

5.800 Profissionais por todo o portfólio de companhias.

Fonte: Teletime News de 25 de setembro de 2020, por Bruno do Amaral.

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